Nove atividades para quem já sabe calcular Christoffel e ainda não viu o que ele faz. Cada uma pega uma equação, abre termo a termo, e termina numa coisa que se observa na tela.
O ÁLETRA abre no navegador, não instala nada e não manda nada para servidor nenhum. A tela tem três partes, e a mais importante é a menor.
O seletor da esquerda troca a superfície, o da direita troca a leitura — qual objeto geométrico está sendo medido. Os campos embaixo são editáveis: a métrica é digitada, não escolhida num menu.
Os links deste roteiro já abrem na superfície e na leitura certas. Ao lado de cada um há o número que deve aparecer: se bater, você está no lugar certo. Arraste o ponto branco para mover-se pela superfície e a ponta do vetor para mudá-lo — nos dois painéis, indiferentemente.
A figura certa para ω não é uma flecha: é uma família de folhas paralelas, os conjuntos de nível da função linear. E ⟨ω, v⟩ conta quantas folhas a seta atravessa. Um ω "maior" tem folhas mais juntas, não uma flecha mais longa.
Repare no que não apareceu na equação: nenhum gij. A contração está definida antes de existir métrica. É o objeto mais primitivo da teoria, e é por isso que o gradiente df é naturalmente um covetor, que a fase de uma onda plana é kμxμ, e que o momento com índice embaixo é o que aparece na integral de ação.
Em ℝ³ com a métrica euclidiana os números de ωi e de vi coincidem, e por isso a distinção nunca morde na graduação. Ela morde aqui.
Abrir na esfera, leitura ⟨ω, v⟩ — deve mostrar 2,30, glosado como "2 folhas + 0,30".
Esse zero é o núcleo de ω. Num espaço de dimensão 2 ele é uma reta inteira, não um ponto — um covetor não nulo aniquila toda uma direção. É a razão de "perpendicular" e "no núcleo de" serem coisas diferentes até você escolher uma métrica.
TpM e T*pM têm a mesma dimensão, logo são isomorfos — mas não canonicamente. Não existe maneira de transformar um vetor num covetor sem escolher uma estrutura extra. A métrica é essa escolha, e é a única.
Toda vez que você sobe ou desce um índice em Relatividade Geral, você está usando g. É por isso que uμuμ = −1 é uma afirmação sobre a métrica e não sobre o vetor, e por isso que a mesma conta em Minkowski troca um sinal e em Schwarzschild multiplica por 1/(1 − 2M/r).
Abaixo dos campos do vetor há um valor derivado, v♭ = (… ; …), e o slider v ⇄ v♭ transforma a seta em pilha continuamente. Compare as três métricas:
| superfície | v | v♭ | o que aconteceu |
|---|---|---|---|
| euclidiano | (1,20 ; 0,70) | (1,20 ; 0,70) | g = δ: nada. Daí a confusão inteira. |
| esfera | (0,22 ; 0,39) | (0,22 ; 0,32) | só a 2ª componente muda: gφφ = sen²θ. |
| Schwarzschild | (1,10 ; 0,25) | (1,65 ; 9,00) | gφφ = r² = 36 em r = 6. |
Uma 2-forma come dois vetores e devolve um número, de modo antissimétrico. A figura: ω dá uma família de folhas, η dá outra, e cruzadas elas fazem um ladrilho de células. O número é a contagem de células que o paralelogramo (u, v) cerca.
Da antissimetria saem duas coisas de graça. Trocar u por v troca o sinal — o que está sendo medido é área orientada. E alimentar o mesmo vetor duas vezes dá zero, porque um paralelogramo degenerado não cerca nada.
É a mesma estrutura de F = dA: dizer que Fμν é antissimétrico e dizer que F é uma 2-forma são a mesma frase, mas o segundo nome já avisa o que o objeto quer — ser integrado sobre uma superfície. O elemento de volume √(−g) d⁴x é a mesma ideia em grau 4.
Plano euclidiano, leitura (ω∧η)(u, v) — −5,58. Aparecem um segundo vetor u e uma segunda pilha η, em azul.
d leva uma k-forma numa (k+1)-forma, e de novo: nenhuma métrica, nenhuma conexão. O significado de dω(u, v) é a circulação de ω em torno do paralelogramo infinitesimal gerado por u e v, por unidade de área — o teorema de Stokes em forma de germe.
E daí sai o fato central: se ω = df, então dω = 0, porque ∂i∂jf = ∂j∂if — derivadas parciais mistas comutam. Toda forma exata é fechada, e isso é d² = 0.
Escreva F = dA e você ganhou dF = 0 sem fazer conta nenhuma: são a lei de Faraday e ∇·B = 0, as duas equações homogêneas de Maxwell, que deixam de ser leis empíricas e passam a ser identidades. A identidade de Bianchi é o mesmo fenômeno um andar acima.
Plano euclidiano, leitura dω(u, v) — −3,86. Aqui ω é um campo digitado em x e y, e não um par de números.
Vale insistir num ponto que costuma passar batido: o inverso é falso fora de um domínio contrátil. Formas fechadas que não são exatas medem topologia, e é isso que a cohomologia de De Rham conta — mas para ver isso seria preciso um laço que não encolhe a um ponto, e o retângulo aqui não tem nenhum.
Ande um tempo t ao longo de X, depois um tempo t ao longo de Y. Agora faça na ordem contrária. Os dois pontos de chegada não coincidem, e o vão entre eles é, em ordem dominante, t²[X, Y].
O colchete mede exatamente isso: o quanto dois fluxos deixam de comutar. E, como d, ele não precisa de métrica nem de conexão — é estrutura diferenciável pura. Três consequências que aparecem direto no curso:
Plano euclidiano, leitura [X, Y] — |vão| = 1,44. O padrão é X = (1, 0) e Y = (0, x).
Transporte paralelo é mover um vetor mantendo-o "o mais paralelo possível": ∇uV = 0. Numa superfície plana o resultado não depende do caminho. Numa superfície curva, depende — e dar uma volta fechada devolve o vetor rodado.
O ângulo dessa rotação é a integral da curvatura na região cercada. Em Relatividade Geral isso é o tensor de Riemann: [∇μ, ∇ν]Vα = RαβμνVβ. Riemann é a falha das derivadas covariantes em comutar, e a holonomia é essa falha integrada.
Guarde a frase, porque a atividade existe para desmentir a intuição errada: curvatura não é o quanto a superfície entorta dentro do espaço. É se o transporte lembra o caminho.
O numeral mostra o ângulo e a glosa mostra a área cercada. Percorra a tabela na ordem — ela é o argumento inteiro.
| superfície | ângulo | área | K |
|---|---|---|---|
| esfera | 0,77 | 0,77 | +1: o ângulo é a área |
| cilindro | 0,00 | 1,81 | 0: cerca área e não roda nada |
| cone | −0,00 | 1,20 | 0, e ainda assim não é o plano |
| hiperbólico | −0,61 | 0,61 | −1: roda para o outro lado |
| toro | 0,19 | 1,21 | varia e se cancela dentro do laço |
Uma geodésica é a curva cuja tangente é transportada paralelamente ao longo dela mesma — "a mais reta possível". O Γ não é tensor: ele existe para tornar a derivada covariante, e é por isso que numa carta (θ, φ) um grande círculo aparece como curva enquanto na esfera ele é reto.
A segunda equação é onde a Relatividade Geral vira física. Pelo princípio de equivalência, um observador em queda livre não sente campo gravitacional nenhum — localmente ele está em Minkowski. Mas duas partículas em queda livre se aproximam ou se afastam uma da outra, e essa deriva relativa não se apaga com escolha de referencial. É maré, e a fonte dela é R.
Curvatura é a única coisa gravitacional que se pode medir sem olhar para fora.
A leitura traça a geodésica e, com traçar a vizinha marcado, uma segunda que parte paralela. A glosa mostra a separação no início e no fim.
| superfície | separação | o que R fez |
|---|---|---|
| esfera | 0,12 → 0,08 | K > 0: convergem |
| cilindro | 0,16 → 0,16 | K = 0: seguem paralelas |
| hiperbólico | 0,12 → 0,74 | K < 0: fogem uma da outra |
| Schwarzschild | 1,47 → 2,50 | estiramento radial de maré |
Leia a métrica devagar, componente por componente. gφφ = r² diz que um círculo de coordenada r tem comprimento 2πr, exatamente como no plano. Ou seja: r não é uma distância medida até o centro. É a coordenada definida pelo comprimento do círculo.
Toda a deformação está na direção radial. A distância própria entre dois círculos é ∫ dr/√(1 − 2M/r), maior que Δr, e a razão entre as duas cresce sem limite ao se aproximar de 2M.
Agora as duas singularidades, que é onde quase todo mundo tropeça uma vez. Em r = 2M o grr diverge — mas K = −M/r³ vale −1/8M² ali, um número perfeitamente finito. Quem acaba é a carta, não a geometria. Em r → 0 é K que diverge, e contra isso não há mudança de coordenadas que ajude.
Abrir Schwarzschild. O funil à direita é o paraboloide de Flamm, z(r) = 2√(2M(r−2M)) — não é ilustração de buraco negro, é a métrica dos campos, mergulhada isometricamente.
Cuidado com a leitura clássica errada do funil: o que diverge na garganta é a inclinação da parede, não o comprimento dela. A distância própria de r = 3M até o horizonte é finita. Você chega lá — o que não dá é para ficar parado.
Arraste tudo ao longo do fluxo de ξ. Se comprimentos e ângulos sobreviverem à viagem, o fluxo é uma isometria e ξ é um campo de Killing. A Lie derivada da métrica mede exatamente a taxa com que os comprimentos mudam, então a condição é ela zerar.
Os dois últimos termos são o que separa esta conta de "derivar g na direção de ξ": o fluxo não só leva o ponto, ele também roda e estica a base coordenada, e o que a métrica sente é a soma das três coisas.
E aqui a geometria vira física, num teorema de uma linha: se ξ é de Killing, ⟨ξ, u⟩ é constante ao longo de toda geodésica. Em Schwarzschild, ξ = ∂φ dá L = r²·(dφ/dλ), o momento angular; ∂t daria a energia. É com esses dois números que se integra uma órbita, e eles não vieram de força nenhuma — vieram de a métrica não depender de φ nem de t.
Schwarzschild, leitura Killing — abre em ξ = ∂φ, com ‖ℒξg‖ = 0,00.
Na esfera, troque ξ para (1 ; 0), que é ∂θ. O defeito sobe para 0,90 e a glosa passa a mostrar 7,46 no pior ponto da carta. Agora arraste o ponto até o equador: o defeito pontual cai para 0,00 — e ∂θ continua não sendo simetria da esfera.
Não há contradição. O defeito é pontual, e em θ = π/2 mexer em θ não muda sen²θ em primeira ordem. Por isso o painel mostra dois números: um zero sozinho quer dizer "de Killing aqui", e só o par quer dizer "campo de Killing". O bloco confirma pelo outro lado — mesmo com defeito 0,00 no equador, |v| sob o fluxo: 0,42 → 0,24, porque o fluxo finito sai do equador.
A fita de Möbius abre com defeito 0,89, porque guu depende das duas coordenadas e nenhuma direção coordenada é simetria dela. O comprimento vai de 0,56 a 0,61 sob o fluxo, e a carga escapa de 0,40 para 0,48.
Vale registrar por quê. Quase toda superfície de curso tem simetria — esfera, cilindro, cone, toro, Schwarzschild, todas abrem aqui com zero —, e isso ensina a esperar que sempre haja uma. Uma superfície qualquer não tem nenhuma, e é por isso que problemas de Relatividade Geral que se resolvem no papel são sempre os simétricos.
?limpo=1 ao
endereço e todo o cromo desaparece — fica a superfície, o vetor, a pilha
e o número.
Ver
assim.
Duas das oito superfícies não têm painel de ℝ³. O plano euclidiano por falta de graça. O plano hiperbólico por teorema: Hilbert provou que não existe mergulho isométrico completo de H² em ℝ³. Não é recurso faltando — é o próprio conteúdo avisando que a carta às vezes é tudo o que se pode ter, e que ela basta.